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Empreendedorismo
Com mais de 280 membros e seis ambientes, AptaHub consolida maior ecossistema de inovação científica do agro em SP
Arranjo inédito entre governo estadual, Cietec, Wylinka e Impact Hub celebra três anos conectando o patrimônio dos institutos de pesquisa diretamente ao mercado, com 35 deep techs aceleradas e mais de 200 conexões comerciais
Por Deborah Rabello/AptaHub, editado por Jaque H. | Postado em 15/06/2026 00:00:00 | Atualizado em 13/10/2026 13:31:11
Reprodução SAA
A ciência brasileira sempre foi o motor silencioso que transformou o agronegócio nacional em uma potência global. No entanto, um desafio histórico persistia: como pegar o patrimônio científico acumulado por décadas nos laboratórios e conectá-lo diretamente com a energia ágil do ecossistema de startups e do mercado? A resposta para essa pergunta consolidou-se nos últimos três anos através do AptaHub, que acaba de lançar seu Relatório de Impacto, reunindo dados de dezembro de 2022 a novembro de 2025.
Idealizado pela Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o AptaHub nasceu de um arranjo inédito de governança colaborativa. A iniciativa une as forças públicas à expertise de três das principais Organizações da Sociedade Civil (OSCs) de inovação do país: Cietec, Wylinka e Impact Hub São Paulo. O resultado é uma plataforma viva desenhada para fazer a pesquisa saltar das bancadas direto para as mãos do produtor rural e para as prateleiras do varejo. "O AptaHub cria pontes entre ciência e mercado, e isso abre portas para projetos super relevantes. É um espaço que incentiva que a pesquisa ganhe vida e se transforme em soluções reais", destaca Izabela Alvim, pesquisadora do Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolate (Cereal Chocotec) do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-Apta).
A Força da rede em números
Em três anos de atuação, o AptaHub provou que a inovação cresce de verdade quando é cultivada intencionalmente. Aprovado pela capilaridade institucional de sete institutos de pesquisa icônicos do estado — Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca (IP), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Instituto de Zootecnia (IZ) e Apta Regional —, o hub consolidou uma comunidade robusta:
- 288 membros ativos: uma engrenagem única formada por pesquisadores, empreendedores e mentores;
- capilaridade no solo paulista: seis ambientes de inovação e um escritório estratégico operando em polos fundamentais — os membros da comunidade estão distribuidos no AptaHub Campinas Itapura/IAC (64), Campinas Taquaral/Ital (57), São Paulo/IB (56), Ribeirão Preto/IZ (48), Santos/IP (47) e Campinas Gramado/IB (16).
Uma jornada contínua: formação, aceleração e conexão comercial
Para solucionar gargalos históricos do setor, como o gap entre pesquisa e mercado, programas genéricos e a falta de rastreabilidade de conexões, o AptaHub estruturou metodologias e programas específicos que acompanham toda a jornada da inovação:
- ciência empreendedora: através do AptaHub Impulsiona, 83 pesquisadores foram capacitados e transformados em cientistas empreendedores orientados ao impacto real. O ecossistema conta ainda com o programa Multiplicadores, voltado para os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) e Instituições de Científica e Tecnológica (ICTs);
- impulso deep tech: o programa AptaHub Acelera impulsionou 35 startups científicas e tecnológicas, divididas em verticais estratégicas para o futuro do planeta — 18 soluções biotecnológicas, 10 agrodigitais e sete voltadas ao clima (climatechs) —, e mediou mais de 90 horas de mentorias individuais, conectando mais de 60 startups a cientistas da Apta;
- maturidade comercial: o AptaHub Conecta aproximou o ecossistema das grandes corporações, gerando 211 conexões qualificadas, com a participação de 121 startups e 34 pesquisadores em 39 desafios de inovação abertos pelo mercado.
Impacto na prática: Histórias de sucesso
Para além das estatísticas, o relatório traduz como o ecossistema ganha vida por meio da sustentabilidade, economia circular e resiliência climática:
- economia circular em Ribeirão Preto: a sinergia entre a startup AQUi9 e cientistas do IZ resultou na aprovação de um projeto de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE/Fapesp) em julho de 2025 para transformar efluentes de piscicultura em fertilizantes líquidos de alta eficiência;
- soluções para grandes cadeias: a conexão de comunidade levou a startup Quality in Lab a firmar um contrato em agosto de 2025 com a Italac, prestando consultoria especializada em normas internacionais (ISO 17025) para os laboratórios de qualidade de uma das maiores indústrias de laticínios do país;
- resiliência climática via consórcio: as startups Agropixel, IDEGeo, Prometeus e Sea Carbon se uniram a pesquisadores do IZ e do IAC, viabilizando um projeto robusto de Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD/Fapesp) em setembro de 2025 focado em monitorar e recuperar pastagens degradadas em São Paulo utilizando Inteligência Artificial e drones.
O AptaHub consolida-se, assim, como uma vitrine de credibilidade científica sem paralelos no ecossistema brasileiro. Para startups, encurta o caminho jurídico e operacional até o capital intelectual de ponta. Para corporações, garante acesso antecipado a tecnologias validadas em laboratórios de referência. E, para a sociedade, firma-se como a prova viva de que a ciência pública, quando orquestrada com eficiência e colaboração, gera riqueza sustentável, emprego e inovação soberana para o Brasil.