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Secretaria de Agricultura e Abastecimento
SAA completa 130 anos em novembro e resgata a história de suas instituições de pesquisa
Sucesso do agro SP está alicerçado em ciência

Por Fernanda Domiciano | Postado em 16/11/2021 20:24:54

O agro paulista não é líder na produção de cana-de-açúcar, citros, carnes e de diversos outros produtos agropecuários por acaso. Grande parte desse sucesso se dá pela relevância estadual em ciência, tecnologia e inovação, um patrimônio do Estado de São Paulo e do Brasil construído ainda na época do Império, por D. Pedro II, com a fundação do Instituto Agronômico (IAC), em 1887. Neste mês de novembro, quando a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, celebra seus 130 anos, a história dos seis Institutos e da Apta Regional, ligadas à Pasta, é resgatada, como forma a lembrar a importância do investimento contínuo em ciência e como essa base sólida, construída há mais de um século, é importante para que o agro SP continue forte, inovador e sustentável.

O IAC foi uma das primeiras instituições de pesquisa fundadas no Brasil. Sua missão, naquela época, era o desenvolvimento de estudos para a cafeicultura, principal atividade econômica do Brasil. O IAC foi pioneiro na introdução e melhoramento genético da maioria das culturas do agronegócio brasileiro e serviu de modelo para a criação de outras instituições de pesquisa, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).

Entre os resultados históricos marcantes do IAC é possível destacar o desenvolvimento, em 1932, da primeira cultivar de algodão, que trouxe uma nova opção aos agricultores pós-crise do café, em 1929, o desenvolvimento de 31 clones de seringueira, que tornaram São Paulo o maior produtor de látex do Brasil, e o pioneirismo para a introdução da soja no Cerrado. Outros fatos marcantes são a viabilização do cultivo de frutas originárias de países frios em condições brasileiras, como pêssego, e no desenvolvimento de métodos de análises de solo adotados em todo o Brasil e também em diversos outros países.

Outra instituição centenária dentro da estrutura da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP é o Instituto de Zootecnia (IZ), fundado em 1905. O IZ foi pioneiro na pesquisa científica mundial com a raça Nelore e é referência no Brasil e no mundo nessa área de conhecimento. O Instituto também foi o primeiro do Brasil a realizar prova de ganho de peso de bovinos de corte, selecionar gado da raça Caracu e foi responsável pela introdução de raças europeias leiteiras especializadas no Brasil.

O Instituto Biológico, que completa 94 anos em dezembro, também tem muitas contribuições relevantes para a sanidade animal e vegetal brasileira. A criação do IB atendeu a um ideal paulista e principalmente dos produtores para a criação de um órgão que cuidasse da sanidade do café, maior riqueza do Estado na época. Com a aparecimento, em 1924, de uma terrível praga nas lavouras de café, chamada broca, um grupo de cientistas se juntou para achar uma solução. Com o sucesso do controle da broca por um inseto vindo da África e que era seu inimigo natural, foi apresentado na Assembleia Legislativa a importância do hoje conhecido como IB, referência no Brasil e no mundo em pesquisas na área de sanidade animal e vegetal.

Fundado em 1942, o Instituto de Economia Agrícola (IEA) também tem grande relevância para o sucesso do setor dos agronegócios em São Paulo. O Instituto foi pioneiro na sistematização de estudos sobre a economia agrícola no Brasil e seus levantamentos serviram de modelo para outras instituições brasileiras. Entre os feitos históricos do IEA, pode-se destacar ainda sua contribuição com a metodologia e elaboração de previsão e estimativas de safras em outros estados, pioneirismo no levantamento dos preços agrícolas diários e de terra e na elaboração de metodologia e do cálculo sobre custos de produção, além das análises dos impactos da nanotecnologia na cadeia de produção da soja. O IEA também teve papel destacado no desenho e implementação do Proálcool em meados dos anos 70 e foi responsável por formular grandes programas da SAA, como o Programa Estadual de Microbacias e o Fundo de Expansão do Agronegócios Paulista (Feap), além do desenvolvimento de metodologia de análise da balança comercial.

Em 1963, o Estado de São Paulo inovou novamente e criou o Centro Tropical de Pesquisa e Tecnologia de Alimentos (CTPTA), que em 1969 passou a ser chamado de Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), instituição pioneira e responsável por introduzir profunda transformação no modo de produzir alimentos e no próprio conceito de segurança alimentar no Brasil. O Ital sempre buscou novas tecnologias para contribuir com a evolução das áreas de alimentos, bebidas e embalagens, encontrando soluções inovadoras para armazenar, processar e transportar produtos alimentícios, sempre com foco na segurança e qualidade dos alimentos. Além de ter se tornado referência para os setores produtivos, reduzindo custos e aumentando competitividade, o Ital eleva a confiabilidade dos alimentos industrializados perante os consumidores brasileiros.

Faltava em São Paulo e no Brasil um órgão voltado a pesquisa na área da pesca e aquicultura. Era fundado então em 1969 o Instituto de Pesca (IP), primeiro órgão de pesquisa na área de estudos de ecossistemas aquáticos e biologia de organismos marinhos e continentais, sendo a única instituição de pesquisa científica e tecnológica com esse perfil no país. Ao longo desses 52 anos, o Instituto tem sido inovador, desenvolvendo técnicas e pesquisas inéditas em todo o continente, e desbravador, realizando pesquisas em diversos ambientes aquáticos, destacando a definição de cotas de capturas internacionais de grandes migradores, como atum, desenvolvimento das tecnologias que permitiram a introdução e criação de trutas, mexilhão, dentre outros organismos.

Em 2002, foi criado o Departamento de Descentralização do Desenvolvimento, conhecido como Apta Regional, que é responsável por coordenar 11 polos de pesquisa espalhados em São Paulo. A Apta Regional apoia a ação regional de pesquisa e desenvolvimento dos institutos ligados à Apta, desenvolve projetos para atender à vocação agropecuária de diversas regiões paulistas e transfere conhecimento para o agro regional, contribuindo também para a qualificação dos recursos humanos.

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