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Instituto de Tecnologia de Alimentos

Notícia
Dia da Terra
Secretaria de Agricultura e Abastecimento incentiva consumo consciente aliado à produção sustentável
Referência em pesquisa e desenvolvimento de alimentos, bebidas e embalagens, Ital transfere e difunde conhecimento em sustentabilidade

Por Jaqueline Harumi | Postado em 22/04/2020 12:52:55 | Atualizado em 08/05/2020 17:27:56

Como parte da comemoração do Dia da Terra em 22 de abril, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo destaca ações estimuladas por seus órgãos e listadas no Earth Day Challenge promovido por uma rede internacional que envolve 75 mil parceiros em 190 países em celebração aos 50 anos de criação da data comemorativa.

Dentre as principais áreas de atuação está a transferência e difusão de conhecimento técnico-científico por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e de seus seis institutos de pesquisa.

Na área de sustentabilidade na produção de alimentos e consumo consciente, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), que contribui com empresas e instituições na condução de questões ambientais, levantou junto a 17 empresas do setor alimentos e bebidas não alcoólicas ações transformadoras em sustentabilidade na produção na recém-lançada publicação gratuita Indústria de Alimentos 2030, disponibilizada em versão digital, onde estão detalhados exemplos concretos de redução de perdas e desperdícios, redução de pegada de carbono, eficiência no uso de água e sustentabilidade dos ingredientes.

Com 36 anos de carreira como pesquisadora do Ital, a diretora geral da instituição, Eloísa Garcia, ressalta a necessidade de ações integradas entre o poder público, o setor privado e os cidadãos para que não sejam necessárias imposições como a legislação municipal de São Paulo que proíbe disponibilizar utensílios descartáveis plásticos, as quais não serão positivas se não houver um entendimento correto dos custos ambientais e econômicos das alternativas.

“Uma opção é utilizar utensílios laváveis e reutilizáveis, mas os pontos de venda devem ter estrutura adequada para isso, dada a necessidade de garantir a higiene requerida para a segurança do alimento e da bebida comercializados. A troca por utensílios descartáveis de papel ou mesmo de biopolímeros, por sua vez, deve ser associada à coleta e destinação para reciclagem, pois além do desperdício do uso único, o descarte em aterros traz impactos ambientais importantes, como emissões de gases de efeito estufa decorrentes da biodegradação anaeróbica desses materiais”, explica.

Com vasta experiência em pesquisa e assistência tecnológica em desenvolvimento de embalagem, avaliação do potencial de interação entre embalagem e produto, legislação de embalagem e segurança de alimentos, Eloísa coordenou estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) de materiais e embalagens e projetos de desenvolvimento de produtos com menor impacto ambiental, portanto afirma que a questão não deveria ser o tipo de material descartável, mas sim o uso responsável, ou seja, utilizar quando necessário e sem desperdício.

“Independente do material, é fundamental a destinação para reciclagem, para viabilizar novos usos e evitar os impactos ambientais do descarte em aterros, ou, o que é pior, do descarte indiscriminado no meio ambiente (ruas, praias etc.). É claro que se estamos em um lugar em que é possível usar copo de vidro, não tem necessidade de usar descartável. Agora se o lugar que não tem condições de lavar com segurança, o descartável é melhor. Em um hospital, é bom que seja descartável porque é grande a chance de contaminação”, alerta.

Diante da legislação que entrará em vigor em janeiro de 2021 para moradores e frequentadores da cidade de São Paulo, a diretora do Ital orienta os pontos de venda a atentarem na aquisição de utensílios aprovados para contato com alimentos e bebidas, seguindo a regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A formulação, a coloração e os materiais devem atender os requisitos de pureza e de inocuidade, os quais também dependem da composição do alimento e da temperatura de contato”, detalha.

A questão econômica é um obstáculo para quem disponibiliza os utensílios, segundo Eloísa, pois o plástico é o mais barato e as opções descartáveis para substituição não estão maduras o suficiente, um agravante em um município com tantos estabelecimentos como os discriminados pela lei. Além disso, a pesquisadora pondera que ainda são poucos os pontos de venda que coletam descartáveis para reciclar e falta fomento da prática da destinação para reciclagem junto aos consumidores. “Muitas vezes a legislação vem rigorosa porque há um excesso ou abuso, mas não traz a solução.”

Sistemas agroflorestais

A Apta desenvolve trabalhos com Sistemas Agroflorestais na região de Pindamonhangaba desde 2007. O foco é a recuperação da vegetação da região do Vale do Paraíba, deteriorada pela colonização, ciclo do café e pastagens. Os resultados das pesquisas motivaram os pequenos e médios produtores, agricultores familiares e assentados a adotar um novo jeito de cultivar a terra com o plantio de frutas nativas, palmito, pupunha, mandioca, quiabo, brócolis, sorgo, Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e adubos verdes.

Controle biológico

Na agricultura, o inimigo pode fazer um bem danado. Naturalmente, sem o uso de defensivos agrícolas, ele combate determinada praga ou patógeno, economizando recursos financeiros, poupando o ambiente e a saúde do trabalhador. O Instituto Biológico (IB) é referência no Brasil em pesquisas sobre o controle biológico. Seleciona micro-organismos e predadores para controlar pragas e doenças em flores, banana, cana-de-açúcar, soja, café e seringueira. As pesquisas do IB têm forte contribuição para a redução do impacto ambiental, diminuição dos custos de produção e melhoria social.