saopaulo.sp.gov.br
Instituto de Tecnologia de Alimentos

Notícia
Visão sistêmica
Com participação do Ital, webinar destaca a ciência para o desenvolvimento do agronegócio
Brasil depende de importações de ingredientes alimentícios e uma saída está em plataforma integrada com Unicamp, USP e empresas

Por Jaqueline Harumi | Postado em 13/05/2020 16:46:35

Organizado pela Biomarketing, webinar contou com o Ital, a Jacto, a Koppert Brasil e a Revelando Ideias

Durante a quarentena para prevenção da pandemia do novo coronavírus, uma série de eventos online tem alimentando o conhecimento em diversas áreas dentre elas o Webinar Ciência para o Desenvolvimento, promovido pela Biomarketing com foco no agronegócio, transmitido pelo YouTube e resumido no painel criativo do Revelando Ideias (imagem abaixo). Além de Luis Madi, diretor de Assuntos Institucionais do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), participaram do evento online os sócio-diretores da Biomarketing, Camila Macedo Soares e José Luiz Tejon, o diretor da Jacto, Tsen Chung Kang, e o diretor comercial da Koppert Brasil, Gustavo Herrmann.

Na oportunidade, foi dado destaque à formação de um consórcio pré-competitivo para implantação da Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS), aproveitando a chamada pública para formação de Núcleos de Pesquisa Orientada a Problemas em São Paulo (NPOP-SP) do Programa Ciência para o Desenvolvimento, lançado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A proposta coordenada pelo Ital, em conjunto com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP), envolve a participação de empresas como a Jacto através de consórcio. Sendo aprovada, terá a duração de cinco anos e previsão de início do investimento em 2021 com a missão de desenvolver a indústria de alimentos com integração dos sistemas produtivos, uso de matérias-primas nacionais e aproveitamento de subprodutos e descartes, através da aplicação de processos biotecnológicos sustentáveis para produção ingredientes para alimentos e bebidas.

“É uma oportunidade de visão estratégica termos ingredientes nacionais, principalmente vindos de resíduos que temos em excesso como os resíduos de cana, laranja, café e manga”, explicou Madi, que vê na plataforma uma forma de auxiliar o desenvolvimento de alimentos saudáveis num contexto em que a saudabilidade é claramente um fator importante. “O Brasil tem tudo para ter o maior protagonismo diante da nossa biodiversidade”, frisou o diretor de Assuntos Institucionais do Ital, considerando que atualmente o País é um grande exportador de matéria-prima ou semiprocessados (90%), de baixo valor agregado, sendo um dos maiores produtores de resíduos orgânicos do agronegócio, tratados com baixo valor.

“Vocês estão preparando o Brasil para uma maior independência”, comentou Tejon, que vê a crise atual um forma de revelar nossa vulnerabilidade, “mesmo no agronegócio em que somos protagonistas mundiais”, fazendo referência à entrevista com o embaixador Rubens Barbosa, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), para a Jovem Pan. “O Brasil depende de 60% do trigo importado. Temos extraordinária dependência de defensivos”, citou, mencionado que “gramas valem uma fortuna” na área de ingredientes nutricionais.

Responsável pelas estratégias da Jacto num horizonte de 10 a 20 anos, Tsen Chung Kang vê nos alimentos uma grande janela de oportunidades para a empresa, que desenvolve equipamentos e máquinas agrícolas de precisão na cidade de Pompeia (SP). “O Brasil é muito bom em converter dinheiro em ciência. Somos 17o no mundo em publicações acadêmicas. O projeto é um esforço no sentido inverso: como se converte ciência em dinheiro, em negócios e em empregos. Hoje o Brasil é 64o em inovação e 72o em competitividade. Nós temos que reverter isso, pelo menos para o 17 o lugar”, contextualizou.

Tsen também abordou a relevância de a plataforma desenvolver bioprodutos para a agricultura tropical, considerando que 75% de toda a biodiversidade do mundo está em clima tropical e os países de clima temperado que exportam os bioprodutos. “O Brasil hoje é grande importador de alimentos de todo tipo, produtos de altíssimo valor agregado. [...] Precisamos aprender a trabalhar essas tecnologias para agregar mais valor para o nosso país.”

Por sua vez, o diretor comercial da Koppert Brasil, indústria de biodefensivo holandesa com duas fábricas em Piracicaba (SP), falou sobre a importância da integração para melhorar questões de saúde na cadeia produtiva. “Replicamos o que já existe na natureza, um inimigo natural. A academia e os institutos têm um banco de organismos identificados. Estar no sistema facilita a inovação e existe uma vontade do governo para que ela esteja na mão do produtor”, explicou, ponderando a necessidade de coexistência dos defensivos biológico e químico. “Num paralelo com a saúde humana, o biodefensivo atua como probiótico e o químico como remédio: atuamos de forma preventiva enquanto o químico atua de forma curativa.”

Alimentos industrializados

O diretor de Assuntos Institucionais do Ital aproveitou a oportunidade para falar da importância dos alimentos industrializados em momentos de crise. Para Madi, esse reconhecimento é possível somente através da comunicação efetiva sobre ciência e tecnologia, desmitificando alimentos processados e trazendo uma nova orientação do olhar, como os estudos coordenados e desenvolvidos pelo Ital desde 2010, com a série Ital Brasil Trends 2020, e que continuam através do projeto Alimentos Industrializados 2030.

 “Precisamos perder o preconceito com a ciência. Não é fácil”, desabafou Tejon, que vê solução somente através de “conversa, comunicação, persuasão e lutas, pois existem embates”, destacando a necessidade de se trabalhar pelo “e” em vez do “ou”. Tsen também lembrou a necessidade de aliar a demanda por saúde à produção de alimentos, em especial de alto valor agregado, pois, apesar de ser um grande driver, a saúde tem sido corretiva e precisaria ser preventiva, levando-se em consideração o que se come, quanto exercício faz e qual o impacto no stress.

Painel sobre a discussão feito pela Revelando Ideias

Notícias Relacionadas

Notícia
25/09/2020 08:27:21
Análise
Covid-19 e embalagem: Ital aponta reflexos da pandemia em sustentabilidade e tendências no mercado


Ital na Mídia
24/09/2020 20:38:33
Indústria de Laticínios
Ciência e Tecnologia | Tecnolat - Um olhar da ciência para o leite


Notícia
23/09/2020 18:10:16
Inovação
Acordo do Ital com a BioinFood permite instalação da startup no instituto


Ital na Mídia
24/09/2020 20:56:08
Óleos & Gorduras
Clean label desponta como tendência


Ital na Mídia
24/09/2020 20:17:38
Indústria de Laticínios
Reclassificação dos lactobacilos: o exemplo do Lacticaseibacillus casei


Tags