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Dia Mundial da Arte
Ital mantém painel de renomado e multifacetado artista ítalo-brasileiro
Lelio Coluccini é responsável por 68 esculturas somente no Cemitério da Saudade de Campinas entre diversas obras pela cidade

Por Jaqueline Harumi | Postado em 15/04/2026 11:25:23

Estudioso de Lelio Coluccini conhece painel do artista instalado no Ital (crédito: Antonio Carriero/Ital)

Quem ingressa com um olhar mais atento na entrada principal do prédio da coordenação do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, nota à sua direita um painel ocre com traços modernistas retratando pessoas trabalhando do campo aos laboratórios e plantas-piloto, mas pode não imaginar ser uma obra de um renomado artista ítalo-brasileiro: Lelio Coluccini.

Neste Dia Mundial da Arte (15) instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Seção de Comunicação Científica do Ital destaca essa história para promover o desenvolvimento, a difusão e o prazer da arte, que “nutre a criatividade, a inovação e a diversidade cultural” e tem “papel importante na disseminação do conhecimento e no incentivo à curiosidade e ao diálogo”.

Nascido na pequena cidade de Valdicastello, na Itália, Lelio construiu grande parte de sua vida em Campinas, onde faleceu em 1983: chegou bebê e morou até os 9 anos e retornou aos 24 anos depois de aprender o ofício em ateliês na sua terra natal, localizada na região de Pietrasanta, famosa por jazidas de mármore de Carrara usado há séculos por artistas como Michelangelo. Aliás, a família de Lelio manteve a Marmoraria Irmãos Coluccini até o fim da década de 1960 em Campinas, que vivia um boom modernista à época com Lelio sendo precursor de layout de obras.

Esses relatos são do advogado e historiador Josemar Antônio Giorgetti, membro do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), mestre e doutorando em História, que estuda as obras públicas de Lelio Coluccini na cidade após ter identificado 68 esculturas do artista no Cemitério da Saudade. Apesar de grande conhecedor das obras de Lelio, que considera ser “muito respeitado e querido no meio artístico campineiro”, Giorgetti desconhecia o painel instalado no Ital, ficando emocionado ao observá-lo de perto.

Conforme avaliação do historiador, o painel em alto relevo instalado no Instituto é feito em gesso com moldura de madeira, diferente de outro painel de Lelio feito em baixo relevo em mármore travertino no Palácio da Justiça, prédio que também possui duas esculturas do artista na fachada. Ambos são fruto de encomenda, o que era bastante comum na época, como a escultura O Homem e o Pneu instalada em frente à matriz da DPaschoal, no Jardim do Trevo, que se assemelha ao homem em destaque no painel do Ital.

Pela ampla presença do artista também em espaços públicos, Giorgetti conduz o projeto A linguagem monumental de Lelio Coluccini e a demanda por monumentos públicos como tese de doutorado a ser defendida em 2028 na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob orientação do docente Marcos Tognon. “Lelio era multifacetado. Trabalhou com bronze, mármore, granito, papel machê, casca de árvore, barro e terracota, além de ter sido pintor”, enumera.

Para o historiador, a mais bonita obra pública de Lelio é o Monumento das Andorinhas, feito em bronze sobre granito para homenagear as andorinhas que tomavam conta do mercado municipal da década de 1950 a ponto de ele precisar ser demolido por questão de saúde pública. “São andorinhas em pleno voo, fechadas em si, que dá a dimensão de como o artista era grande para imaginar e confeccionar uma obra daquela”, justifica.

Giorgetti ressalta que essa escultura somente se concretizou graças à arrecadação de dinheiro pelas normalistas da Escola Estadual Carlos Gomes através de rifas, feiras e vendas de bolo, ponderando ainda que foi deslocada do Largo das Andorinhas para dar lugar ao Monumento do Bicentenário de Campinas, também esculpido por Lelio. A “Revoada das Andorinhas”, como é conhecida, atualmente está em frente ao Museu de Arte Contemporânea de Campinas, atrás do Paço Municipal.

Segundo o estudioso, esse tipo de mudança é comum quando não é alimentado o senso de pertencimento. "A obra perdeu o contexto, porque ela homenageia uma situação específica daquele local. Descontextualizada, ela perde o significado. Se você não conhece, você não valoriza", alerta o historiador, que tem se dedicado a mudar esse cenário tanto na academia quanto na administração municipal.