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Instituto de Tecnologia de Alimentos

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Nota de esclarecimento – Reportagem HPAs no óleo de soja

Postado em 19/09/2008 00:00:00

Tendo em vista a repercussão alcançada, a Assessoria de Comunicação do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento), a Diretoria do Centro de Ciência e Qualidade dos Alimentos (CCQA) e a Diretoria Geral do ITAL gostariam de fazer alguns esclarecimentos. Alguns deles são relativos a aspectos já contemplados na reportagem, que aborda informações reais de resultados legítimos obtidos por um trabalho científico, e outros complementam tais informações. 1 – Essa pesquisa se deve ao fato de que existem poucas informações sobre a presença de HPAs (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos) nos alimentos e, portanto, pouco se conhece sobre os risco que essa presença representa. A partir de estudos semelhantes é que se espera estabelecer o nível de exposição do consumidor a um produto e qual o risco dessa exposição, determinando a quantidade de HPAs encontrados e avaliando o nível de consumo daquele produto. O trabalho realizado cumpriu o primeiro objetivo com as amostras analisadas de óleo de soja. Os resultados obtidos fazem parte de uma geração de informações sobre o tema que envolve instituições do mundo todo, com vistas em avaliar a real dimensão dos HPAs na alimentação; 2 – A reportagem destacou o óleo de soja por ter sido o primeiro produto analisado com este objetivo no ITAL. Estudos posteriores serão feitos com outros alimentos; 3 – Os consumidores não precisam deixar de consumir o produto com base no resultado obtido na pesquisa; os profissionais envolvidos no trabalho, que utilizam o óleo de soja em sua alimentação declararam que não deixaram nem deixarão de fazê-lo, confiando na boa qualidade desses produtos e na responsabilidade das empresas do setor; 4 – As empresas que produzem óleo de soja no Brasil são, em geral, bastante responsáveis e seus produtos passam por rigoroso controle de qualidade antes de sua comercialização. Os resultados dos estudos científicos, como os que serviram de base para essa reportagem, devem ser utilizados como informações por essas empresas e para que elas aprimorem ainda mais um produto que já é de boa qualidade; 5 – Esclarecemos, por fim, que não há motivos para alarme da população nem da imprensa. Estamos à disposição para auxiliar na difusão de informações adicionais, precisas e baseadas em dados científicos. Reportagem ITAL detecta HPAs em óleo de soja Compostos foram encontrados em todas as marcas analisadas e estão presentes em vários outros alimentos O Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento) realizou uma pesquisa que verificou a presença de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs) em óleos de soja encontrados no mercado. As análises apontaram a contaminação de todas as amostras coletadas, que pertenciam a diferentes marcas. O ITAL é a única instituição no Brasil a realizar testes de detecção dos HPAs em alimentos. No caso do óleo de soja, os resultados obtidos pela pesquisa – a qual avaliou 42 amostras coletadas ao longo de um ano – eram esperados. “Os HPAs são formados, nesse caso, durante a secagem da soja, pois, no Brasil, ainda se utiliza a secagem pela queima da madeira. Eles se depositam no grão e passam para o óleo bruto. Durante o processamento, ocorre certa diminuição, mas não perde 100%”, revela a coordenadora do trabalho Mônica C. Rojo de Camargo. Em relação a este produto, a conscientização e a mudança de postura devem partir da indústria, já que o consumidor não tem como se proteger. Uma das alternativas é substituir o processo de secagem por um que não utilize a geração de energia pela queima da madeira. O que são HPAs? Os HPAs são gerados na queima incompleta de material orgânico. Esta importante classe de carcinogênicos (compostos cancerígenos) faz parte do dia-a-dia do homem, já que está presente na poluição ambiental e em muitos alimentos e bebidas, tais como hortaliças, carnes, café, chá, óleos e gorduras, grãos etc. Sua presença em produtos alimentícios tem, como conseqüência, sido objeto de preocupação nos últimos anos. Eles oferecem risco à saúde caso sejam inalados, ingeridos ou se houver contato com a pele. Mais de cem compostos diferentes foram identificados. Treze deles foram, contudo, classificados como carcinogênicos e genotóxicos (podem provocar mudanças no material genético das células) pelo Comitê Conjunto FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação)/OMS (Organização Mundial da Saúde) de Peritos em Aditivos Alimentares (Jecfa), em 2005. Neste contexto, O ITAL iniciou, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), um programa de monitoramento, estudos e pesquisas em HPAs, intitulado “Contaminação de Alimentos por Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos”. A atuação do ITAL “Quando mandamos o projeto para a Fapesp, a confirmação dos 13 compostos carcinogênicos tinha acabado de sair, então não havia quase nenhum dado no mundo a respeito disso. O Jecfa fez uma recomendação para que os países pesquisassem o assunto para avaliarmos o risco a que o homem está exposto”, lembra a coordenadora do projeto. Ainda não há, todavia, limite mínimo de ingestão determinado, já que os organismos respondem de maneiras diferentes. Além disso, como o câncer está associado a múltiplas causas, é difícil estabelecer a relação precisa entre a exposição aos HPAs e o aparecimento da doença. Para uma primeira etapa do projeto foram selecionados o complexo soja (soja, farelo e óleo), alimentos infantis e o café. “Esses alimentos foram escolhidos porque, na Europa, existe legislação para óleos e alimentos infantis e por serem produtos, no caso do óleo e do café, exportados. Poderá haver uma barreira de exportação relacionada à presença de HPAs”, explica Mônica. Outro destaque entre as atividades do Instituto em pesquisas acerca do tema é a metodologia empregada. Mônica trabalhou um ano no desenvolvimento de um método analítico – sobre o qual não constam, até o momento, registros na literatura científica mundial – para a detecção dos 13 compostos classificados como cancerígenos. Este trabalho será apresentado pela pesquisadora no 45th Congress of the European Societies of Toxicology, que acontece na Grécia, entre os dias cinco e seis de outubro. Os caminhos possíveis Se o consumidor fica impotente diante da contaminação do óleo de soja, o mesmo não acontece com outros alimentos. Embora a contaminação seja praticamente inevitável em alguns casos, determinadas condutas podem diminuir a ingestão dos HPAs. Exemplos são: não ferver a água do café junto com o pó; utilizar carnes com menos gordura para churrasco ou cozimento em grelhas; lavar bem a superfície de frutas e hortaliças e evitar alimentos defumados por processos caseiros. Do mesmo modo, o progresso das pesquisas envolvendo estes compostos é essencial tanto para avançar o conhecimento sobre seus efeitos na saúde humana quanto para viabilizar ações que diminuam a exposição a eles. “Efetivamente, conseguir eliminar os HPAs é muito difícil. É um trabalho preventivo: temos que saber onde há e quanto há para sabermos onde atuar. Se não fizermos nada, como vamos informar o consumidor, estabelecer ações? Mas, se o consumidor e a indústria souberem como eles se formam, de onde vêm e como prevenir, já podem evitar ou ingerir menos”, defende Mônica.

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