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Rastreabilidade do gado: exigência crescente
Sistemas visam obter um número cada vez maior e mais seguro de informações individualizadas dos animais

Postado em 05/07/2006 00:00:00

Desde o final da década de 90, quando a preocupação com a segurança alimentar ganhou contornos mais concretos, uma demanda cresceu no setor de criação de gado: a por rastreabilidade, que pode ser entendida também como o desejo de obter um maior número de informações sobre o animal cuja carne será consumida posteriormente. Seguindo esta exigência cada vez maior, principalmente por parte do mercado externo, foi implantado no País o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), que, por suas recentes modificações, passou a ser noticiado com maior freqüência nas últimas semanas. #Com o objetivo de identificar, registrar e monitorar individualmente os bovinos e bubalinos, o sistema funciona hoje com a inserção de informações no sistema desde o nascimento do animal até a porta do frigorífico, passando pela vacinação, filiação, sexo, entre outros dados. As mudanças, às quais os produtores terão que se adequar até 31 de dezembro de 2007, vão no sentido de tornar o sistema mais seguro e evitar as fraudes, que permitiam, por exemplo, que um animal com boas características fosse abatido mais de uma vez. Demanda consolidada Segundo a pesquisadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Carnes (CTC), Luciana Miyagusku, é difícil imaginar que um criador que não adote a rastreabilidade de seus animais possa ocupar hoje um lugar de destaque no mercado. “Hoje é o que está pesando muito para a exportação. Se a gente for pensar nestes termos, rastreabilidade hoje é pré-requisito. Então não tem grandes produtores que não tenham rastreabilidade ou que, pelo menos, não estejam pensando em rastreabilidade”, conta. É possível perceber, nesse sentido, que a rastreabilidade representa não só uma demanda consolidada, como também uma realidade entre os produtores de maior porte. Assim, a preocupação com segurança alimentar foi transportada também para o campo. Mas o Sisbov, como ele está colocado hoje, tem algumas dificuldades: além das já citadas possibilidades de fraude, seu objeto de preocupação é o gado que tem como destino a exportação, enquanto a exigência não se estende ao que será comercializado no mercado interno. Esse é um fator comum quando se pensa na qualidade de alimentos: as exigências são maiores quando o foco é a exportação. Para Luciana isso representa um ponto negativo. “Como a gente coloca uma linha de qualidade? Uma hora tudo se mistura. O que se tem procurado fazer é com que esse sistema seja aplicado também para o mercado interno e tentar fazer com que cem por cento do gado seja cadastrado. Esse seria o objetivo maior, para que a gente também possa usufruir disso” explica. Para ela, dois fatores são essenciais para entender a não extensão destas exigências para o mercado interno: a dificuldade do produtor em ver como a comercialização da carne do animal rastreado no mercado interno pode fazê-lo recuperar o custo do investimento e a falta de exigência do próprio consumidor em obter maiores informações acerca da carne que consome. Além disso, o sistema vai até a entrada do animal no frigorífico. Depois, as informações se perdem e, quando a peça sai de lá embalada já não é mais possível saber de qual animal ela é proveniente. Pesquisa: rastreabilidade continuada Especialmente com o objetivo de auxiliar nesta última lacuna, um projeto está sendo desenvolvido em parceria pela FINEP, o SEBRAE, o ITAL e a UNICAMP, ao lado de três microempresas. Luciana conta que a intenção é dar continuidade ao registro das informações individualizadas do animal a partir de sua entrada no frigorífico. “O projeto vai procurar se somar aos sistemas que já existem. Vamos trabalhar com animais rastreados, com as informações anteriores, do campo, e vamos cuidar dentro do frigorífico até o corte. Então se você pegar, lá no final, um corte de contrafilé, você vai saber de qual animal é e quais são as informações sobre ele”, explica. Assim, o novo sistema prevê o uso de softwares, que estão sendo projetados pelas microempresas parceiras, para possibilitar o gerenciamento das informações do animal dentro do frigorífico. Será possível, desse modo, utilizar conjuntamente as informações da fazenda com informações importantes para comercialização, como controle de temperatura e PH, que alguns mercados consideram essenciais para a compra. Essas informações seriam, então, registradas em um código de barras, que não seria repetido, e não poderiam mais ser alteradas. O fato de um frigorífico ter se interessado imediatamente em participar do projeto dá indícios da boa receptividade que o sistema encontrará, principalmente por ser uma maneira de agregar valor à carne produzida e poder ser utilizado como ferramenta para assegurar a qualidade do seu produto ao consumidor. O projeto está atualmente na fase de planejamento, montagem da parte estratégica e aquisição de equipamentos. Luciana diz que ainda tem muita coisa a ser pensada, mas anima-se ao pensar nos resultados. “Vai ser um trabalho muito bonito”, conclui. Material produzido pela Assessoria de Comunicação Foto: Antônio Carriero Mais informações: 19.3743.1757

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