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Vacina substitui castração cirúrgica do suíno
Testada pelo Centro de Tecnologia de Carnes, castração imunológica apresenta diversas vantagens em relação à tradicional

Postado em 23/02/2007 00:00:00

A castração do suíno macho é obrigatória pela legislação brasileira e, caso não seja realizada, pode resultar na rejeição dos consumidores, devido a um odor desagradável – chamado de odor sexual – presente no tecido gorduroso quando aquecido. O procedimento de castração cirúrgico, realizado tradicionalmente, traz, porém, uma série de desvantagens relacionadas à produção do animal e ao seu bem-estar. Há, por isso, uma busca por alternativas a este método. E uma delas foi testada pelo CTC (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Carnes). Trata-se de uma vacina natural, composta por uma proteína semelhante ao hormônio que libera as gonadotrofinas, responsáveis pela ação que resulta na produção de esteróides – entre eles a androstenona, ligada ao odor sexual. Nesse sentido, ela atua nas duas substâncias responsáveis pelo cheiro indesejado: a androstenona e o escatol – produzido pelas bactérias no trato digestivo ou absorvida por meio de fezes e urinas no ambiente de criação, quando este não é bem higienizado. #“As desvantagens do macho inteiro causam defeitos sensoriais que podem gerar uma rejeição à carne suína que, no Brasil, já possui um índice baixo de consumo, se comparado a outros países”, diz o pesquisador do CTC Expedito Tadeu F. Silveira. Todavia, o método cirúrgico, que consiste em fazer dois cortes de aproximadamente três centímetros para a extração dos testículos, sem anestesia, causa um grande impacto na saúde do animal. O suíno pode levar até uma semana depois do procedimento para voltar a consumir a alimentação normalmente e isso exige que permaneça mais tempo na granja, o que acarreta em prejuízo para o produtor. Além disso, a preocupação com o bem-estar animal segue uma trajetória ascendente e já foi transformada em barreira comercial por muitos países. Na União Européia, por exemplo, a partir de 2009, não será mais permitida a castração cirúrgica. Enquanto isso, alguns países têm adotado a anestesia, a qual também aumenta os custos de produção. “A imunocastração veio como alternativa. Temos uma técnica disponível para evitar a castração cirúrgica com todos os benefícios que o macho inteiro tem”, conta Silveira. Entre estes benefícios estão: maior quantidade de carne na carcaça, melhor conversão alimentar (transformação da alimentação em carne no animal), evitar o processo invasivo da cirurgia e eliminar o risco de infecção causado pelos cortes. As vantagens econômicas também são claras: o custo da vacinação varia de 8 a 10 reais por animal e a economia pode chegar a 45 centavos por quilo de carne. A vacina está em processo de registro em alguns paises (USA, Europa, Ásia e América Latina) e é comercializada na Austrália e Nova Zelândia desde 1998. No Brasil, o registro já foi aprovado, após os testes realizados pelo CTC/ITAL e, no momento, estão sendo feitos testes comerciais em grande escala com as sete maiores empresas de carne do País. Nestes testes, os suínos imunocastrados com testículos maiores que 110 mm são amostrados, por meio da remoção de gordura costo lombar, e o teste de cocção é realizado por agentes da Inspeção Federal, sob supervisão do médico veterinário responsável pela empresa de abate. Mesmo não apresentando o odor sexual através do teste de cocção, amostras destes mesmos animais são embaladas a vácuo e enviadas para avaliação química do escatol e androstenona no único laboratório do País apto a realizar tais as avaliações, o de Físico Química do CTC - ITAL. Material produzido pela Assessoria de Comunicação Foto: Antônio Carriero Mais informações: 19.3743.1757

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